Digo muitas vezes que a alimentação vegetariana não precisa de ingredientes estranhos ou difíceis de encontrar para ser saborosa. Fazer refeições vegetarianas é do mais simples que há, não precisamos de complicar demais a combinação de alimentos, basta usarmos os legumes, leguminosas, cereais e frutas que tão bem conhecemos!
Mas, quando já estamos à vontade neste mundo verde, há alguns ingredientes diferentes que podem ajudar as nossas refeições a ficar ainda mais espectaculares, a dar-lhes aquele toque diferente que as torna especiais e também a aumentar a diversificação da nossa alimentação.
Aqui ficam 5 ingredientes um pouco diferentes e como usá-los para tornar as tuas refeições mais saborosas.
Tahini
Tahini é o nome que normalmente se dá à pasta de sementes de sésamo, que é basicamente estas sementes trituradas até uma consistência cremosa. Eu adoro tahini e tenho sempre um frasco em casa. Uso tanto como elemento doce como salgado, pois adapta-se bem a qualquer sabor. Quando comprares tem em atenção os ingredientes, pois o único deve ser mesmo as sementes de sésamo. Nada de sal, açúcar ou outros aditivos! Podes encontrar tahini com as sementes com casca, que normalmente é mais escuro e amargo ou com as sementes sem casca, mais claro e de sabor mais suave, que é aquele que prefiro usar. Se quando abrires o frasco tiver uma camada de óleo por cima não te preocupes, é o óleo natural da gordura das sementes que é comum ficar separado da pasta, basta pegar numa colher e mexer bem todo o conteúdo do frasco.
Aqui ficam algumas sugestões em como usar tahini:
- Molho tahini com limão
- Biscoitos de sésamo
- Crackers de sésamo
- Barrado em torradas com marmelada (é divinal!)
- Molho doce: tahini + geleia de arroz + água. Óptimo como topping de papas de aveia, de millet ou sobre fruta fresca
- Hummus: 400g grão cozido + sumo de 1/2 limão + 1 colher de sopa bem cheia de tahini + sal q.b. + 1 colher de sopa de azeite + 3 colheres de sopa de água + 1 dente de alho + 1 pitada de cominhos (opcional). Triturar tudo com a varinha mágica até ficar bem cremoso e ajustar os temperos.
Vinagre de Ameixa Umeboshi
Conheci o vinagre de ameixa umeboshi no Instituto Macrobiotico e fiquei absolutamente fã. É algo que adoro ter na despensa porque dá um toque especial às coisas mais simples. Este vinagre é na verdade o liquido que fica da salmoura das ameixas umeboshi, um fruto asiático com imensas propriedades medicinais naturais (vê mais informação aqui), e tem um sabor simultaneamente salgado, ácido e ligeiramente doce. Fica maravilhoso em:
- Sementes tostadas: numa frigideira anti-aderente tosta sementes de girassol, ou abóbora ou uma mistura de ambas, sem qualquer gordura e junta umas gotas de vinagre umeboshi, envolvendo todas as sementes no mesmo. Guarda num frasco e utiliza por cima de saladas, de arroz ou couscous ou come assim como snack.
- Pickles aldrabados: por exemplo de rabanete. Corta os rabanetes em rodelas fininhas, tempera com vinagre de ameixa umeboshi, envolve tudo e deixa repousar entre 30 a 60min antes de comer. Podes guardar o que sobrar durante uns 2 dias no frigorifico.
- Temperos de saladas: com azeite, com óleo de sésamo, como complemento do vinagre de cidra ou do limão, com molho de soja, etc…
Geleia de Arroz
A geleia de arroz, ou mel de arroz, é um adoçante não refinado obtido através da fermentação do arroz, sendo os seus açúcares de absorção lenta, o que ajuda a evitar os picos glicémicos no sangue. É um óptimo substituto do mel nas sobremesas vegetais porque a textura é muito semelhante, apesar do sabor não ser, obviamente, igual. É o adoçante que mais utilizo cá em casa, especialmente quando faço granolas ou bolachas. Mas atenção! Lá porque é um açúcar não refinado, não deixa de ser açúcar na mesma, moderação no seu uso continua a ser preciso! No Verão, depois de aberto, deves guarda-lo num sitio fresco ou no frigorifico porque com o calor retoma a fermentação e pode ficar com sabor azedo.
Aqui ficam algumas sugestões de receitas:
- Sobremesas, como os pudins de baunilha
- Granolas
- Bolachas
- Molho doce de tahini (ver tahini, acima)
- Molhos salgados, por exemplo num vinagrete com azeite, limão e mostarda.
Levedura de Cerveja
A levedura de cerveja é, destes ingredientes, aquele que mais aparece aqui no blog. É conhecida como o “queijo dos vegans”, porque o seu sabor particular faz lembrar um pouco esse ingrediente e é muito bom por cima de massas e pizzas, como se fosse pó de queijo. Sem querer entrar em muitos pormenores nutricionais, deixo só aqui que a levedura de cerveja é uma óptima adição aos nossos pratos pois é bastante rica em vitaminas do complexo B, minerais e também alguma proteína. Para obter estes nutrientes no seu máximo a levedura não deve ser cozinhada, no entanto há receitas em que a levedura é aquecida e dá um sabor maravilhoso ao prato.
Aqui ficam algumas sugestões:
- Por cima de massas, arroz, saladas ou pizza
- Tofu mexido
- “Queijo” de amêndoa
- “Queijo” parmesão
- Molho pesto
NOTA: a levedura nutricional provém da mesma levedura que a de cerveja, embora a nutricional esteja no modo inactivo (não tem capacidade de fermentação). Algumas fontes indicam que contém valores nutricionais superiores à levedura de cerveja. Em sabor são bastante parecidas, por isso utiliza a que preferires.
Millet
O millet, também conhecido como milho-painço, é um cereal muito antigo e nutritivo, mas pouco usado na nossa alimentação. Mais uma vez, conheci melhor este ingrediente no Instituto Macrobiótico e entrou logo na nossa alimentação cá de casa. É um cereal com sabor suave, depois de cozido quase parece couscous, não tem glúten e é óptimo para acalmar o estômago. Millet cozido com abóbora é uma salvação para estômagos sensíveis e dolorosos.
Mas há outras formas deliciosas de utilizar o millet, por exemplo em:
- Saladas, como se fosse couscous
- Sopas, como a canja de cogumelos
- Puré de millet e couve flor: 1 couve flor pequena + 1 cebola pequena + 1 dente de alho + 1 chávena de millet bem lavado + 3 chávenas de água + azeite e sal q.b. Refogar no azeite o alho e cebola grosseiramente picados, quando estiverem alourados juntar a couve flor em pedaços e o millet. Envolver tudo e deixar tostar uns 3 minutos, juntar a água, sal e deixar cozinhar tapado, em lume baixo, até o millet cozer. Triturar tudo com a varinha mágica e usar como se fosse puré de batata.
- Papas doces
O que achas destes ingredientes? Algum que nunca tenhas experimentado? Ou algum que não dispenses na tua cozinha?
Há outros ingredientes que aches mais difíceis de usar nos teus pratos? Diz-me aqui nos comentários as tuas sugestões!
Muito bommmmm!!
obrigada :)
Boa tarde e bom ano!!
Como me oriento pela Macrobiótica, são-me todos familiares :) e queria só deixar a dica do gomásio.
É certo que não é um ingrediente, por si só, mas julgo que vale a referência, pelos seus benefícios, sabor e porque muda mesmo um prato. Ainda para mais se for feito em casa.
Muito obrigada! :)
Olá Vera, bom ano! :)
Gomásio é maravilhoso! Por acaso não costumo fazer em casa, nem sei porquê, mas comia imenso no Instituto Macrobiótico e tens razão, muda um prato! Tenho de fazer, 2021 vai ser o ano em que vou fazer gomásio em casa ihih!